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Trane avança com resfriamento híbrido para data centers

April 02, 2026


Para atender equipamentos com IA e computação de alta densidade, empresa adota soluções que combinam ar e líquido para garantir eficiência e confiabilidade

 

 

Manuel Salazar, da Trane: “O Brasil está se consolidando porque combina escala de demanda, expansão de hyperscalers e cloud, boa conectividade e uma base energética muito competitiva”

A pressão sobre a infraestrutura digital nunca foi tão intensa. À medida que aplicações baseadas em inteligência artificial, cloud computing e análise massiva de dados avançam, os data centers passam a operar em patamares de densidade e desempenho que desafiam os modelos tradicionais de climatização. Se antes o resfriamento a ar era suficiente, agora esse processo começa a dar sinais claros de limitação diante de cargas térmicas cada vez mais concentradas.

Nesse novo contexto, o resfriamento líquido ganha espaço como uma resposta direta às exigências de eficiência, estabilidade e escalabilidade. Mais do que uma substituição simples, o mercado caminha para soluções híbridas, nas quais ar e líquido atuam de forma complementar para garantir o desempenho térmico e viabilidade operacional.

A Trane, por exemplo, tem se adaptado a essa realidade e investido em tecnologia para atender às novas demandas. A empresa apresentou diversas inovações como Chillers a ar feitos especificamente para atender aos padrões de temperatura de trabalho, vazão, sustentabilidade e eficiência do mercado, Fan Walls , CRAH e CDUs, que se somam ao chiller resfriado a água com refrigerantes de baixo GWP e área de piso reduzida, que chegam a ate 5000 toneladas de refrigeração por equipamento.   

Em seu mais recente movimento nesse segmento, a Trane Technologies concluiu, em março, a aquisição da LiquidStack, provedora de tecnologia de resfriamento líquido com sede em Carrollton, Texas (EUA), reforçando sua estratégia de atuação em infraestrutura digital de alta densidade. A incorporação ampliou o portfólio de gerenciamento térmico da companhia, agregando soluções avançadas de liquid cooling e fortalecendo sua capacidade de atender às crescentes demandas de eficiência, desempenho e escalabilidade nos data centers.

Para entender melhor o atual panorama e tentar projetar o que ainda vem pela frente, o Blog do Frio entrevistou Manuel Salazar, gerente-geral de data centers e alta tecnologia da Trane na América Latina. Ele detalha como a alta densidade computacional está redefinindo os padrões de climatização, os desafios da adoção do liquid cooling e as estratégias que vêm sendo adotadas para tornar os data centers mais eficientes, resilientes e preparados para o futuro.

O resfriamento líquido tem sido apontado como uma das principais evoluções tecnológicas para data centers. O que mudou no cenário da infraestrutura digital para tornar essa solução praticamente indispensável?

O que mudou foi a densidade de calor gerado pelo novos chips. Com a aceleração da IA e da computação de alta densidade, o calor por rack aumentou de forma significativa e começou a demandar formas mais eficazes de eliminar calor. Por isso, o liquid cooling deixou de ser uma tecnologia opcional e se tornou uma capacidade estratégica.

A chave, no entanto, não é pensar no líquido como substituto total do ar, mas como parte de uma arquitetura térmica híbrida. Hoje, o verdadeiro desafio é acompanhar o crescimento da carga digital com uma solução que combine desempenho, resiliência, eficiência e viabilidade operacional. Em outras palavras: o mercado já não está projetando apenas para resfriar equipamentos, mas para viabilizar a próxima geração de infraestrutura digital.

De que forma o aumento da densidade computacional, impulsionado por inteligência artificial, cloud computing e big data, está pressionando os sistemas tradicionais de climatização?

Está pressionando os sistemas tradicionais porque concentra muito mais calor por chip (e consequentemente por rack) e torna o ar insuficiente como único meio de eliminação de troca térmica. Com cargas de IA, a remoção térmica precisa ser mais intensa, precisa, estável e escalável, e é aí que começam a surgir limites no resfriamento somente por ventilação.

Isso também impacta os chillers. Eles agora precisam trabalhar em parâmetros de temperatura, vazão, e agregando opcionais que agregam mais eficiência , sustentabilidade e disponibilidade, muitas vezes demandando alterações estruturais e de projeto por parte dos fabricantes.

Além disso, rotinas de automação e controle passaram a ser tornar ainda mais importantes,  já que os equipamentos precisam não apenas lidar com a carga térmica do data center tradicional, mas também se integrar a uma arquitetura mais complexa, com diferentes loops de água e intertravamento com tanques, bombas, trocadores, e outros equipamentos.

Por isso, a tendência não é ar ou líquido, mas estratégias híbridas que permitam lidar com alta densidade com eficiência e resiliência.

Hoje já existe um movimento concreto de migração do resfriamento a ar para o líquido ou ainda estamos em uma fase inicial de adoção no mercado mundial e latino-americano?

Sim, e de fato esse é o ponto mais sólido para a América Latina: não estamos indo para um mundo apenas de ar ou apenas de líquido, mas para projetos híbridos. Na prática, isso significa incorporar o resfriamento líquido em chips cuja densidade térmica seja suficientemente alta para demandar troca de calor por condução, sem esquecer de eliminar o rejeito de calor que invariavelmente irradia, através do ar.

A adoção na América Latina provavelmente não será uma substituição abrupta do ar, mas uma evolução híbrida, escalável e financeiramente sensata. Isso permite reduzir riscos, administrar melhor o Capex e dar flexibilidade ao cliente para crescer sem precisar superdimensionar desde o primeiro momento.

Como a Trane tem incorporado as tecnologias de liquid cooling ao seu portfólio de soluções de climatização e gestão térmica para atender às demandas crescentes de data centers e ambientes de alta densidade computacional?

A Trane incorporou o liquid cooling como parte de uma arquitetura térmica integral, não como uma solução isolada. Isso inclui CDUs, chillers, controles e projetos híbridos que combinam ar + líquido conforme a densidade e a criticidade da carga.

A lógica da Trane é clara: ajudar o cliente a lidar com alta densidade por meio de uma transição escalável, confiável e financeiramente sensata. Mais do que vender um componente, a Trane está construindo uma proposta de gerenciamento térmico de ponta a ponta. E a aquisição da LiquidStack, concluída pela Trane Technologies em março deste ano, reforça exatamente essa direção estratégica.

Quais cases ou experiências práticas demonstram os benefícios do resfriamento líquido em termos de eficiência energética (principais ganhos), desempenho térmico e confiabilidade operacional em projetos recentes da Trane? Quanto é possível diminuir em termos de temperatura nos equipamentos? E quanto de economia em recursos financeiros?

Os benefícios já são concretos. Em soluções direct-to-chip, são reportadas melhorias de TCO próximas de 25% em determinados projetos, além de reduções relevantes no consumo de energia para resfriamento.

Não se trata de “reduzir a temperatura”, o ponto executivo é outro: o liquid cooling permite manter as condições ideais para os novos chips operarem de forma estável,  eficiente, escalável do que o ar em ambientes de alta carga. Isso ajuda a reduzir hot spots, melhora a confiabilidade operacional e permite instalar equipamentos de maior potência sem precisar superdimensionar toda a infraestrutura desde o início.

O chiller resfriado a água CenTraVac utiliza fluidos refrigerantes de baixo potencial de aquecimento global.

 

 

Como a combinação entre sistemas air cooling e liquid cooling pode otimizar desempenho sem comprometer a segurança operacional das infraestruturas críticas? Qual é o percentual de redução na ocorrência de falhas críticas nos equipamentos?

Em ambientes de alta densidade, a combinação de ar + líquido se complementam porque utiliza cada tecnologia onde ela é mais adequada:  ar para calor irradiado por convecção e líquido para o calor que pode ser rejeitado através de condução. Isso melhora o controle do calor, reduz pontos críticos de temperatura e evita o superdimensionamento de toda a infraestrutura.

Do ponto de vista operacional, o benefício é uma arquitetura mais robusta, flexível e eficiente. Na prática, um projeto híbrido bem integrado reduz significativamente a probabilidade de falhas críticas, gerencia melhor o rejeito de calor gerado pelo chips e proporciona maior estabilidade à operação. Isso se traduz em mais confiabilidade e menor risco para infraestruturas críticas.

O consumo energético dos data centers é frequentemente citado como um dos grandes desafios da economia digital. Qual é o papel das novas tecnologias de climatização na redução desse impacto?

As novas tecnologias de resfriamento são fundamentais porque o crescimento digital hoje depende de gerenciar a carga térmica com menos energia, menos água e mais inteligência operacional. Na visão da Trane, o desafio já não é apenas resfriar, mas otimizar toda a arquitetura térmica para melhorar eficiência, resiliência e capacidade de computação.

Isso se traduz em soluções como chillers de alta eficiência, fan coil walls, CRAHs, CDUs, liquid cooling, controles inteligentes e um suporte pós-venda robusto, que permitem combinar ar + líquido conforme a densidade da carga e sustentar a operação com maior confiabilidade e eficiência.

Quais setores da economia estão puxando a demanda por data centers de alta densidade no Brasil e na América Latina?

No Brasil e na América Latina, a demanda por data centers de alta densidade vem principalmente de hyperscalers [grandes provedores de nuvem que operam infraestruturas de data center massivas] e cloud, com um peso crescente da IA. Na região, também se destacam os setores de telecomunicações e serviços financeiros, devido às suas exigências de conectividade, disponibilidade e baixa latência. O Brasil lidera essa tendência por escala de mercado, investimento e velocidade de expansão.

O Brasil tem se consolidado como um dos principais polos de data centers da região. Quais fatores explicam esse crescimento e quais oportunidades ele abre para fornecedores de tecnologia, como a Trane?

O Brasil está se consolidando porque combina escala de demanda, expansão de hyperscalers e cloud, boa conectividade e uma base energética muito competitiva, com uma matriz elétrica de baixa intensidade de carbono.

Isso o torna especialmente atrativo para nova capacidade digital e para cargas mais intensivas, como IA. Para a Trane, a oportunidade é clara: levar soluções térmicas eficientes, escaláveis e confiáveis, apoiadas por engenharia, controles e serviços de pós-venda.

A empresa possui uma operação muito forte e consolidada no Brasil, estando preparada do ponto de vista comercial e de serviços para sustentar o crescimento desse mercado. No último ano, o desenvolvimento de novos produtos em sua plataforma global foi significativo, e esses produtos se adaptam muito bem ao mercado brasileiro. Ou seja, não se trata apenas de participar do crescimento, mas de ajudar a torná-lo operável e sustentável ao longo do tempo.

Na prática, quais são os principais desafios enfrentados pelas empresas ao implementar sistemas de resfriamento líquido em projetos novos ou em data centers

Em novos projetos, o desafio é prever as exigências futuras em um cenário de constante inovação e mudanças, e projetar adequadamente a arquitetura térmica desde o início com possibilidade de ajustes ao longo do caminho. Já em data centers existentes, existe um grau de complexidade a mais : o retrofit. Espaço disponível, compatibilidade com a infraestrutura atual, tempo de intervenção e preparação da equipe operacional, etc. Em outras palavras, o desafio não é apenas instalar o liquid cooling, mas integrá-lo sem comprometer a continuidade, a simplicidade operacional e a escalabilidade futura. Além disso, por ser uma tecnologia recente, não estão sobrando no mercado profissionais experientes.